sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Joaquim Laurindo e a história dos antigos engenhos de cana no Bom Retiro

Os primeiros engenhos do Bom Retiro

A história dos engenhos no bairro Bom Retiro teve início por volta de 1899, quando João Laurindo da Fonseca passou a produzir rapadura, após construir uma grande roda d’água que existe até hoje no local. Com muita dificuldade, o produto era trazido em carros de boi para Santa Rita do Sapucaí, no finais de semana. Como o acesso era muito restrito, a viagem de aproximadamente 13 quilômetros pelo meio da mata contornava a serra que faz limite com a vizinha São Sebastião da Bela Vista.
Joaquim Laurindo assume o engenho do pai

O patriarca da família continuou a desempenhar seu trabalho até os 39 anos, quando faleceu precocemente e o engenho passou a ser tocado pelo filho Joaquim Laurindo. Seguindo a rotina desempenhada desde o início do século XX, toda semana sua produção era vendida em um espaço alugado da prefeitura, no extinto mercado municipal.
Mudanças nos planos

No final de 1964, a vida era muito dura para Joaquim Laurindo. O açúcar começava a chegar aos armazéns de Santa Rita o que tornava as vendas de rapadura insuficientes para que pudesse alimentar seus quinze filhos. Foi então que surgiu a ideia de adaptar o antigo engenho e dar início à produção de uma cachaça artesanal que não tardaria a se tornar uma das mais famosas de Minas Gerais. Seguindo os passos do vizinho Ozório Machado, que já havia iniciado sua produção alguns anos antes, no dia 23 de março de 1965, houve festa no povoado quando a família Roque da Fonseca produziu sua primeira “lambicada”. Dois anos depois, fregueses de Ouro Fino, São Gonçalo e outras cidades passariam a perguntar na cidade como chegar ao Bom Retiro.
Referência no bairro

Apesar de prosperar nos negócios, Joaquim Laurindo continuou sendo um grande líder no bairro, até sua morte. Defensor incondicional dos pássaros da região, sempre cuidou dos canari-nhos que até hoje são vistos no local e não deixava que caçadores invadissem suas terras com gaiolas e arapucas. Os vizinhos contam que ele era uma pessoa muito fácil de conviver e que todos tinham muita confiança em suas decisões. Não raramente, recebia a visita dos amigos para ouvir sua opinião sobre algum problema particular ou para serem aconselhados sobre importantes decisões a serem tomadas. No Bom Retiro, seu nome e o de sua esposa, Maria da Conceição, continuam muito relacionados pelos cerca de 900 moradores do bairro como um referencial de caráter e honestidade.
Tempos modernos

Ao visitar o local, notamos que o alambique ainda possui elementos do início da fabricação de rapadura, continua utilizando equipamentos dos tempos do senhor Joaquim Laurindo, e recebeu algumas melhorias com o objetivo de otimizar a produção. O bagaço da cana, antes depositado no ribeirão, hoje tem um destino certo, assim como o chamado “vinhodo”, utilizado como adubo por ser rico em potássio.
Boa fama

Atualmente, o alambique de Joaquim Laurindo recebe visitas de admiradores vindos de todos os cantos do Brasil e sua cachaça é relacionada nos catálogos de alguns do mais reconhecidos degustadores. Domázio conta que a fama do produto é tão boa que chegou a receber a visita de um turista vindo da Alemanha. Além da fazenda, administrada por Domásio e seu irmão Donésio, outros dois alambiques podem ser visitados: o do famoso “Nego do Osório” e o do Romilson Silvério.

J. Laurindo
 
A preocupação atual dos irmãos Domázio e Donésio é desenvolver uma estratégia de marca que relacione o produto à sua grande fama. Como a cachaça ainda é vendida à granel, os empresários decidiram envazar o produto com um rótulo e ampliarem a estratégia de vendas até o final do ano. Em breve, os mais diversos locais do país poderão contar com o selo “J. Laurindo” entre suas grandes opções. Eles contam que os produtos mais cobiçados têm sido a cachaça envelhecida por cerca de 3 anos em tonéis de carvalho, além do produto vendido nos bares, com envelhecimento de 6 meses.

(Carlos Romero Carneiro)

Um oferecimento:

Nenhum comentário:

Postar um comentário